NOTÍCIA

Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e da sua Abolição

 No dia 23 de agosto celebra-se anualmente o Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e da sua Abolição. A 29ª Sessão do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) promulgou, através da Resolução 29 C/40, o marco internacional do fim da escravidão a partir de 18 de junho de 1999.

         A referida data guarda total relação com a madrugada do dia 22 para 23 de agosto de 1791, na região oeste da Ilha de Santo Domingo, uma colônia francesa das Índias Ocidentais – uma das maiores ilhas das Antilhas -, onde ocorreu a Revolta de São Domingos, também conhecida como Revolução Haitiana.

         A localidade adotou o nome de Haiti, a primeira república governada por pessoas de ascendência africana. E aquele evento histórico contribuiu diretamente para o movimento da abolição durante o século XIX. O Haiti foi também o primeiro país da América Latina a alcançar sua independência e a primeira República Negra das Américas.

         A Unesco, em 1994, elaborou o projeto “A Rota do Escravo – Lições do Passado, Valores para o Futuro”, proveniente de iniciativa do Haiti e de inúmeros países africanos participantes da rota dos escravos, como Angola (região central), Guiné (região ocidental) e Moçambique (região oriental), com intuito de ajudar na conscientização de uma sociedade internacional livre que abomine a escravidão e suas desastrosas consequências. A estratégia estava na confecção de programas educacionais e culturais, fazendo com que fosse possível a identificação de questões sociopolíticas, culturais e éticas desse período desonroso para população preta.

         Em outras palavras, a celebração do dia 23 de agosto, criada em 1998, surgiu para fazer parte do projeto “A Rota do Escravo”, que pretendia trazer considerações sobre as causas históricas da escravidão e do tráfico negreiro no mundo, além de buscar conhecer suas metodologias e consequências. Estrategicamente, a data foi escolhida como momento de aprofundamento da reflexão sobre o legado da história da escravidão, o prestígio ao princípio da dignidade da pessoa humana, o pensamento antirracista, a conscientização da humanidade e criação de um ambiente jurídico condenatório à escravatura.

(Luiz Henrique de Oliveira Júnior, presidente Comissão da Verdade da Escravidão Negra do Brasil, e Jaqueline Cristina dos Santos, presidente da Comissão de Igualdade Racial)

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