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NOTÍCIA

Racismo – O Povo Indígena à margem da nossa sociedade

Bem sabemos que no dia 19 de abril comemora-se o Dia do Índio. O nome "índio" foi dado ao povo indígena pelos portugueses que aqui chegaram, por os mesmos parecerem indianos. Data máxima vênia, certo é que os índios são os povos originários do Brasil e nada há para se comemorar na referida data, pois este povo está ameaçado de extinção, pela ganância dos que se dizem "civilizados".

 

Muitos têm a ideia de que o indígena é selvagem, um ser do passado, mas por trás dessa grotesca ideia se esconde uma diversidade não conhecida, talvez pelo fato de que não seja do interesse conhecer. Diante disso é que se afirma, com todas as vênias, que, quando se comemora o Dia do Índio, se comemora uma ficção. Ora, a nomenclatura 'indígena' tem um significado muito maior e vai além, diz muito mais a respeito deste povo do que a palavra 'índio', pois nos diz “indígena, quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros.

Por que não cogitar a possibilidade, então, de o dia 19 de abril se chamar Dia da Diversidade Indígena?

Só quem lida com a palavra sabe a força e o poder que a mesma tem. Esta data é comemorada como algo folclórico, mas deveria ser pautada, principalmente, no fortalecimento das lutas por direitos indígenas.

Senhores, com todo respeito a quem pensa diferente, mas o Brasil é, sim, um país racista, as estatísticas dizem isso.

 

Façamos nós uma simples reflexão: por que será que as posições subalternas da sociedade são, na maioria, ocupadas por negros e indígenas, e por que estes são as vítimas preferenciais da pobreza e da violência?

 

Vamos começar a pensar e agir diferente. Fazer do dia 19 de abril uma data para se respeitar e comemorar a memória dos antepassados indígenas, e nos educar para ver estas características como formas que o povo encontrou para perpetuar sua existência, que constantemente está ameaçada de extinção.

 

É fato público e notório, mas não lembrado, que a escravidão indígena e negra começou a ser construída nos primórdios da colonização europeia.

A história nos revela que o povo indígena deixaria de ser escravo oficialmente no ano de 1750, na Colônia; já o negro, no Império. Ambos, como sabemos, conseguiram sair da escravidão, mas não puderam ingressar de forma plena na cidadania. “Libertos” do cativeiro, não ganharam terra, trabalho ou educação.

 

Esquecidos, humilhados, privados historicamente desses instrumentos básicos de ascensão social, os negros e os indígenas até hoje não concorrem em condições de igualdade com os brancos.

 

Façamos a nossa parte, vamos mudar esta triste realidade!

 

(Namara Gurupy Emiliano de Freitas – Advogada indígena, delegada da Comissão de Igualdade Racial da OAB Niterói)