Autor(a)
Mariana Brito
Presidente da Comissão de Bioética e Biodireito
Em 2023, tivemos o primeiro caso de útero transplantado na Espanha. Normalmente, as mulheres possuem uma doença congênita que as impede de gestar. Em alguns casos, os médicos indicam a fertilização in vitro. No entanto, cabe ressaltar que as biotecnologias vêm aumentando e as tentativas de reproduções também. É o caso que ocorreu no mês de abril de 2025 no Reino Unido. A bebê foi chamada de “milagrosa”, pois a mãe não possuía o útero funcional e teve o útero da irmã transplantado em 2023 e somente dois anos depois, a criança nasceu. A mãe da criança não descartou a possibilidade de adoção ou mesmo gestação de substituição, também chamada de barriga de aluguel, mas seu instinto materno foi mais forte.
Destaca-se que já tiveram outras crianças nascidas de útero transplantado anteriormente, em 2014 nasceu na Suécia e em 2018, na América Latina, precisamente no Brasil. Há relatos de outros nascimentos em outros países, totalizando 65 bebês nascidos.
A mãe britânica pretende ter mais um filho e por isso, o útero transplantado será preservado, pois normalmente, após o nascimento da criança se retira o órgão, pois se trata de um transplante e o protocolo requer que seja administrado imunossupressores para que evite a sua rejeição. A operação foi financiada por uma instituição beneficente Womb Transplant perante o sistema público de saúde britânico. E o médico responsável explicou que para que a mulher seja candidata ao transplante, precisa ter embriões congelados ou estar se submetendo a tratamento de fertilização. E além desses requisitos, as doações podem ser de doadoras vivas ou falecidas.
Atualmente, há uma inversão na pirâmide demográfica e os nascimentos vêm diminuindo ao longo dos anos por diversos fatores, inclusive por questões reprodutivas. As biotecnologias vieram para trazer uma possibilidade de perpetuação da prole. Inicialmente, o primeiro fato a chamar atenção foi o chamado “bebê de proveta” que aconteceu em 1978, também na Inglaterra, que representou o maior avanço reprodutivo à época. E atualmente, se falar em reprodução humana como meio de se concretizar o sonho da paternidade já é comum.
Os desafios éticos trazidos pela Bioética no aspecto reprodutivo ainda são grandes e representarão grande parcela dos acontecimentos agora em diante. Deve-se ressaltar que a Medicina avança e com os transplantes se possa concretizar para os pais a paternidade, assegurando de forma ética e responsável o planejamento familiar, assegurado pela CFRB/88, observando as dores e a dinâmica social que podem ser anemizadas pelas biotecnologias.
Por: Mariana Brito – Presidente da Comissão de Bioética e Biodireito
@ma.marianabritos
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