Autor(a)
Waltair de Oliveira
Comissão:
Comissão de Apoio à Terceira idade OAB Niterói
O discurso é sempre bonito:
“A tecnologia democratiza. Inclui. Facilita.”
Mas quem vive o dia a dia da advocacia sabe que, na prática, o avanço digital tem um lado sombrio: ele exclui — e exclui rápido.
A implantação do processo eletrônico, lá atrás, já acendia um sinal amarelo.
Hoje, com a explosão de plataformas de IA — ChatGPT, Gemini, Claude e tantas outras capazes de redigir petições, resumir autos, montar estratégias e até participar de audiências simuladas — o alerta virou vermelho vivo.
O sistema nunca foi pensado para incluir todos.
E, definitivamente, não foi projetado para incluir o advogado idoso, que agora é obrigado a competir em um ambiente que muda mais rápido do que as próprias normas que o regem.
O resultado?
Enquanto os jovens surfam naturalmente nas tecnologias jurídicas, muitos profissionais experientes — justamente aqueles que sustentaram a advocacia nas últimas décadas — vêm sendo empurrados para fora do mercado.
E não é exagero.
A pandemia deixou isso escancarado: plataformas como Zoom, Teams, Webex e Google Meet já foram suficientes para gerar pânico e evasão.
Agora some a isso:
Para o advogado idoso que trabalha sozinho — sem um jovem ao lado para fazer a “tradução simultânea tecnológica” — isso é simplesmente intransponível.
E não estamos falando de um grupo pequeno.
Segundo dados da Tribuna da Advocacia (2021), só no Rio de Janeiro são 38 mil advogados acima de 60 anos.
Estamos falando de grupo isolado, mas sim um quarto da classe.
Pense nisso!!
Waltair de Oliveira – Presidente da Comissão de Apoio à Terceira idade OAB Niterói